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Números que nos movem

07/12/20

Por Celso Niskier

De 0 a 9. Dez números que, combinados entre si, nos levam do nada ao infinito. Desde que nascemos, eles são utilizados para nos descrever, nos registrar e nos localizar. Números também são essenciais para apresentar cenários, apontar carências e mapear tendências.

Recentemente, a ABMES lançou a 20ª edição dos Números do Ensino Superior Privado no Brasil. Criada para demonstrar, de forma simples e objetiva, as dimensões do setor particular de educação superior no país, a publicação evidencia dados que poderiam passar despercebidos em meio à grande quantidade de informações disponibilizadas pelo Inep/MEC por meio do Censo da Educação Superior 2019.

Não é novidade para ninguém que acompanha a agenda da educação que, no Brasil, o nível superior é essencialmente particular. Somos mais de 88% das instituições e temos nas nossas salas de aula (presenciais, a distância ou remotas) mais de 75% dos estudantes de graduação do país.

Os números também mostram que, em 2019, as matrículas nos cursos presenciais registraram a maior queda desde 2016, quando essa tendência teve início: -3,76% nas matrículas em geral e -5,76% nas matrículas em IES particulares.

Em sentido totalmente inverso, as matrículas na educação a distância apresentaram um crescimento recorde de 19,15% em 2019 em relação ao ano anterior, quando o desempenho já tinha sido mais de 17% superior em relação a 2017. Entre as instituições privadas, a evolução foi de 21,72% em relação a 2018.

Se, por um lado, a expansão da educação a distância pode ser creditada ao fato de estarmos cada vez mais conectados tecnologicamente e aos benefícios dessa modalidade de ensino (mensalidades mais baixas e flexibilidade para os estudos, por exemplo), por outro não dá para fechar os olhos para o que vem acontecendo no Brasil desde 2015: o esvaziamento das políticas públicas de acesso à educação superior.

Mantido esse cenário, os números da EAD seguirão crescendo e os do presencial caindo, pois, com a crise econômica e a ausência de políticas agressivas de financiamento estudantil, é natural que os estudantes optem por uma modalidade mais acessível.

Números não são frios. Na maior parte das vezes, eles representam desejos, inseguranças, necessidades e individualidades. Números merecem ser lidos e interpretados em todas as suas dimensões. Números, que surgiram da necessidade de contar do homem das cavernas, são ainda mais fundamentais em uma sociedade disruptiva, volátil, interconectada. Números precisam apontar os caminhos, as diretrizes e as prioridades. Números descortinam realidades e nos permitem ver à frente. No caso da educação, os números dão a dimensão da distância que ainda estamos das metas do Plano Nacional de Educação (PNE). Vida longa, e efetiva, aos números.

Fonte: ABMES