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A educação não pode parar

22/02/21

Por Celso Niskier 

Há alguns anos temos discutindo os desafios da educação no século 21, mas, neste 2021, estamos diante de um cenário amplificado em virtude dos desdobramentos da pandemia de Covid-19 no contexto educacional. Às dificuldades amplamente mapeadas somaram-se questões como o hibridismo e a aceleração da volatilidade, da incerteza, da complexidade e da ambiguidade, ou seja, do tal do mundo VUCA.

Para debater esse novo panorama e suas nuances, a ABMES reuniu no primeiro seminário deste ano três grandes especialistas: a consultora especializada na área educacional e assessora da presidência da ABMES, Iara de Xavier; o presidente do Consórcio Sthem Brasil e diretor de Inovação e Redes de Cooperação do Semesp, Fábio Reis; e o sócio fundador da empresa de estudos educacionais Educa Insights, Daniel Infante.

Após quase duas horas e meia de exposição de conteúdos densos, com destaque para a urgência requerida pelo momento, uma constatação ficou evidenciada: precisamos aproveitar essa crise e repensar as nossas instituições. Se no mundo pré-pandemia os desafios relacionados aos novos tempos, às novas técnicas e às novas práticas pairavam sobre nossas cabeças, agora eles pavimentam o único caminho possível para a educação superior brasileira.

Sabemos que a educação no século 21 precisa formar profissionais cidadãos e empreendedores com competências e habilidades para viverem em um contexto cada vez mais disruptivo e complexo, mas, para isso, precisamos superar dois obstáculos, como apontado pela professora Iara: a resistência e o medo de muitas instituições na implementação de um currículo inovador e a excessiva regulação do setor educacional no nosso país, o que dificulta a flexibilização e a adoção de modelos criativos.

A simplificação da regulação, com mais autonomia e responsabilidades para o setor, é uma pauta antiga e que tem ganhado cada vez mais força. É bem possível que ela não aconteça de uma hora para a outra com a força que desejamos, mas a velocidade e a qualidade com que as instituições de educação superior particulares se organizaram para garantir a continuidade da oferta educacional por meio do ensino remoto demonstrou que, quando tem liberdade, o setor é capaz de gerar soluções rápidas e efetivas. Ponto para a gente na caminhada rumo à uma regulação mais compatível com as necessidades do atual contexto histórico.

Embora a evolução legal não acompanhe a velocidade dos acontecimentos, as IES podem, desde já, desenvolver projetos inovadores e começar a experimentá-los, sob pena de comprometimento da sustentabilidade daquelas que não se adequarem aos novos tempos.

A adoção de metodologias ativas, conteúdos focados em competências, valorização da aprendizagem em detrimento do decoreba e o respeito à diversidade são práticas que não dependem de normatização e são essenciais para a entrada do processo de ensino-aprendizagem no século 21. Para isso, é essencial capacitar os professores de forma continuada, e não apenas com uma palestra ou curso rápido, como alertou o professor Fábio Reis durante o seminário.

Mas se todas essas medidas já integravam os debates relativos à inovação educacional antes da Covid-19, o que há de novo, então? Nesse momento passam a integrar a agenda educacional questões como a reconfiguração dos espaços físicos e ganham força pautas como a popularização de uma modalidade híbrida de ensino.

Assim como o setor particular não permitiu que a educação superior ficasse parada por meses ao longo do caótico e desafiador ano de 2020, o momento é de mobilização para que ela seja conduzida rumo ao já bem caminhado século 21. A teoria para essa transformação, aliada ao discurso, faz parte do nosso cotidiano há algum tempo. A hora é de mudar as atitudes e extrair os insumos para uma nova educação. Afinal, se o tempo não para, a educação também não pode parar.

Fonte: ABMES